Artigos e análises

As veias abertas da Nicarágua

Boaventura Sousa Santos

Pertenço à geração dos que nos anos de 1980 vibraram com a Revolução Sandinista e a apoiaram activamente. O impulso progressista reanimado pela revolução cubana de 1959 tinha sido estancado em grande medida pela intervenção imperialista dos EUA. A imposição da ditadura militar no Brasil em 1964 e na Argentina em 1976, a morte de Che Guevara em 1967, na Bolívia e o golpe de Augusto Pinochet contra Salvador Allende em 1973 foram os sinais mais salientes de que o sub-continente americano estava condenado a ser o quintal dos EUA, submetido à dominação das grandes empresas multinacionais e das elites nacionais com elas coniventes….Leia mais

Silêncios que matam

Raul Zibechi

Sem ética a esquerda não é nada. Nem o programa, nem os discursos, nem sequer as intenções têm o menor valor se não forem erguidas sobre o compromisso com a verdade e o respeito irrestrito às decisões explícitas ou implícitas dos setores populares, os quais diz representar. Neste período em que todos os dirigentes da esquerda enchem a boca para ditar valores, acaba sendo muito significativo que fiquem apenas no discurso. A ética é posta à prova apenas em momentos em que temos algo a perder… Leia mais

Qué ocurre en Nicaragua Preguntas y respuestas desde la izquierda

Iousu Perales

Los trágicos sucesos que vive Nicaragua desde el 18 de abril, preocupan y confunden a las izquierdas. Sin embargo, la inquietud que se comparte no significa unanimidad al momento de analizar e interpretar los hechos que cada día nos sobresaltan. Para una parte de las izquierdas se trata de un intento de golpe de estado del que participan fuerzas opositoras respaldadas por Estados Unidos, en tanto que para otra parte de lo que se trata es de una rebelión popular contra la concentración de poder de Daniel Ortega y sus expresiones autoritarias y represivas….Leia mais

Insurreição popular e política norte-americana na Nicarágua

Tomas Andino Mencía, de Tegucigalpa

Artigo enviado em 16 de junho de 2018.
Tradução do espanhol: Ronaldo Almeida, São Paulo (SP)

Após o massacre do Dia das Mães (30 de maio), quando uma das maiores manifestações na história da Nicarágua foi atacada a tiros pela polícia e pelos grupos de choque de Daniel Ortega, o conflito subiu a um estágio de maior confrontação. Antes dessa data, a Aliança Cívica pela Democracia e Justiça estava disposta a aceitar um acordo pelo qual Daniel Ortega e Rosario Murillo renunciariam ao poder através da antecipação das eleições, um mecanismo democrático para eleger um novo governo. Por isso, concordaram em participar da “Mesa de Diálogo” convocada pelo governo e moderada pela Igreja Católica; inclusive, houve um momento em que chegaram a suspender todas as ocupações em nível nacional, aguardando uma proposta de saída pacífica do governante. Apesar disso, a repressão continuou por todo o país…. Leia mais

La izquierda tiene que condenar a Ortega

Eliane Brum

En un momento en que el mundo se encuentra acechado por las “nuevas derechas”, marcadas por el autoritarismo, populismo y xenofobia, no hay nada más importante para una izquierda en crisis que reafirmar sus valores más profundos. Es vergonzoso que parte de la izquierda global, así como sus principales iconos, no se manifieste diariamente y con vehemencia contra la masacre que Daniel Ortega y su mujer, Rosario Murillo, perpetran contra el pueblo de Nicaragua desde abril. La represión de los Ortega contra los que piden su renuncia ya ha dejado más de 360 muertos, más de 260 desaparecidos y más de 2.000 heridos…. Leia mais

Daniel Ortega: Uma historia de traição

Eric Nepumoceno

O dia 24 de janeiro de 1980 foi uma quinta-feira. Nesse dia, viajei pela primeira vez à Nicarágua sandinista. A revolução que derrubou Anastasio Somoza estava no poder a exatos seis meses e cinco dias.

Tive contato com o único civil que formava parte da Junta de Governo naquele então, o escritor Sergio Ramírez, uma amizade que permaneceu intacta e próxima ao longo de todos estes anos…. Leia mais

Nicarágua conflagrada: entrevista com Mónica Baltodano

Informationsburo

A Nicarágua vive uma situação de conflagração, caos e violência de Estado. Desde abril, quando começaram os novos e massivos protestos contra a reforma da Previdência Social, já foi contada mais de uma centena de mortos, decorrente de uma repressão policial brutal e sem precedentes, a mando do governo de Daniel Ortega.

Até o Papa Francisco, em 22 de abril passado, quando apenas começavam as mortes, veio a público pedir paz e expressar sua preocupação com a situação do país centro-americano. Como veremos nesta entrevista de Mónica Baltodano, guerrilheira, política e revolucionária nicaraguense – para o Informationsbüro Nicarágua e traduzida para o português pelo Correio da Cidadania –, a atual “convulsão social” (em suas palavras) que vive a Nicarágua não começou em abril…. Leia mais

A evolução do regime do presidente Daniel Ortega a partir de 2007

Eric Toussaint

A fim de ganhar as eleições presidenciais de Novembro de 2006, Daniel Ortega conseguiu tornar aceitável a sua eleição pelas classes dominantes, nomeadamente a associação patronal COSEP, a direcção da Igreja Católica representada pelo cardeal Obando y Bravo, os antigos presidentes Arnoldo Alemán e Enrique Bolaños, o FMI. Daniel Ortega fez também por conservar o apoio duma série de dirigentes das organizações populares sandinistas. E conseguiu alcançar este objectivo até aos dias de hoje. Os dirigentes em questão consideram Ortega o protector duma série de conquistas dessas organizações e sobretudo das suas direcções… Leia Mais

Há pouco mais de 90 dias do 18 de abril: Por uma saída de classe e independente para a crise nicaraguense

Lucas Fogaça

Começou no dia 18 de abril deste ano uma mobilização popular na Nicarágua rejeitando as reformas no INSS. À medida que as manifestações sofreram duríssima repressão do governo de Daniel Ortega, rapidamente evoluíram para uma revolta popular pedindo a queda do governo. Passados três meses, são pelo menos 350 mortos e 2 mil feridos, em sua maioria da oposição ao governo. O movimento chega agora num momento crítico… Leia mais

A rebelião popular na Nicarágua e a esquerda no Brasil

William H. Gomez

É difícil calcular o impacto que a rebelião popular num país pequeno, distante e com baixa relevância econômica como a Nicarágua, terá a médio e longo prazo para a “esquerda” brasileira, o certo é que assim como no campo da esquerda internacional, as posições da esquerda no Brasil, oscilam, com algumas excepções que mencionarei a seguir,  entre o silêncio e o apoio aberto ao governo de Ortega. Um dos primeiros a manifestar-se foi o PT com uma posição ambígua, superada pela posição do PC do B, de claro apoio a Ortega…Leia mais

Nicaragua: Estallido anarquista contra un gobierno de derecha

Cesar Valdez

Gracias a la intermediación de una escritora mexicana contactamos a Alastorín, escritor y activista que se define como hombre de izquierda, crítico y opositor al régimen que por once años ha liderado desde la presidencia de Nicaragua Daniel Ortega al lado de su esposa y vicepresidenta Rosario Murillo.Reservamos la identidad de Alastorín debido la situación de riesgo en que lo coloca su actividad política, literaria y organizativa al lado de movimientos populares y campesinos… Leia mais

A Massacre, Not a Coup: A Response to Misinformation on Nicaragua

Mary Ellseberg

For the past 3 months, progressive websites and journals have run articles that paint a picture of the crisis in Nicaragua that is dangerously misleading.  Many of these articles have been circulated among people on the left who were in solidarity with Nicaragua and the FSLN during the 1970s and 1980s but haven’t kept up with what has happened over the last 30 years—particularly since 2007, when Daniel Ortega returned to the Presidency and has been there since. I’d like to take a moment to correct some misconceptions about the current crisis in Nicaragua….. Leia mais

Nicaragua: La complicidad del silencio

Paco Gomez Nadal

Algún día todos seremos pasto del olvido, pero las hemerotecas –en papel, digitales, virtuales…- seguirán ahí. Despertaremos y el silencio cómplice de una gran parte de las izquierdas sobre lo que está aconteciendo en Nicaragua nos pasará factura.

Un hermano, revolucionario, resistente, poderoso, me escribe hoy: “Luchamos por la vida, pero ando buscando ataúdes para los compas que nos mataron ayer… solo en Masaya asesinaron a 11 personas. Paradojas de esta lucha”… Leia mais

Julio López: POLITÓLOGO Y EX MILITANTE SANDINISTA

“El gobierno de Ortega y Rosario está terminado, colapsado”

 

Militante sandinista histórico que, como muchos otros, se ha apartado del gobierno de Daniel Ortega y su esposa, Rosario Murillo; sin embargo, Julio López (72) reivindica hablar desde el sandinismo. Politólogo de formación, ocupó diversos cargos relevantes en el partido, desde la insurrección hasta el Gobierno; entre ellos el de Secretario de Propaganda y Educación Política del FSLN (Frente Sandinista de Liberación Nacional) y el de encargado de sus relaciones internacionales hasta la derrota electoral del sandinismo, en 1990… Leia mais

Sergio Ramírez: “Se Ortega não ceder, haverá uma guerra civil”

Poucos conhecem melhor as entranhas do poder na Nicarágua do que o escritor Sergio Ramírez. Aos 73 anos, ele lutou nas hostes revolucionárias do sandinismo que deram fim à dinastia dos Somozas, em 1979. Foi tão próximo dos líderes da revolução que se tornou vice-presidente de Daniel Ortega, entre 1985 e 1990. Deixou o cargo quando percebeu que a revolução tomava rumos com os quais não compactuava. Em 1996, abandonou a política para se dedicar apenas à literatura…. Leia mais