Caravana da solidariedade esteve no Brasil

A articulação social da Nicarágua é o maior espaço de encontro dos movimentos sociais no país que atua conjuntamente para impulsionar uma profunda mudança política e social no contexto nacional. Esta instância organiza-se em torno a dois objetivos comuns: justiça e democracia, através de processos horizontais, diversos e inclusivos para superar a atual crise política.

Como parte das estratégias de atuação, a articulação social iniciou a realização da Caravana de Solidariedade em diversos países da América Latina para informar os distintos atores sobre a situação atual da Nicarágua, e gerar ações concretas que isolem o regime e estabeleçam redes de apoio ao povo nicaraguense.

A caravana visitou o Brasil de 30 de agosto ao 16 de Setembro para realizar diversos foros em universidades públicas, debates em espaços de organizações sociais, encontros com atores políticos e com a mídia brasileira. As atividades da Caravana da Solidariedade se realizaram em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

Essa difícil situação foi compreendida escutando as vozes de seus protagonistas, que têm resistido aos embates desse regime autoritário e criminoso, alguns desde antes do 18 de abril. Pretendemos divulgar nos diferentes espaços as motivações e demandas do movimento social que de maneira cívica segue resistindo nos territórios, assim como dar testemunho direto da situação e denunciar as graves violações aos direitos humanos na Nicarágua.

Objetivos da Caravana:

  1. Denúncia e posicionamento público sobre as violações de Direitos Humanos;
  2. Incidência governamental;
  3. Redes de Solidariedade

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Integrantes da Caravana da Solidariedade

  1. Coordinadora Universitaria por la Democracia y la Justicia

Um dos cinco movimentos estudantis que conformam a Coalizão Universitária que se mobilizou a partir de 18 de abril e que também incorpora representantes estudantis na mesa do Diálogo Nacional. Definem-se como “estudantes autoconvocados da UCA (Universidad Centro-Americana), UNI (Universidad de Ingeniería) , UAM (Universidad Americana), UNAN-MGA (Universidad Nacional en Manágua), UNAN em LEÓN, e Universidad Thomas More.

Delegada:

Ariana McGuire Villalta

Comunicadora social e mestre pelo programa de Mestrado em Estudos Culturais com ênfase em Memória, Cultura e Cidadania (IHNCA 2015-2017). Especialista na produção radial (comunitária e comercial), executou projetos socioculturais relacionando arte, cultura e educação para populações em situação de vulnerabilidade. Possui amplo conhecimento sobre cidadania, direitos humanos, feminismo e movimentos sociais desde uma perspectiva ampla e multidisciplinar. É ativista feminista e há 8 anos participa de protestos cívicos e sociais, por exemplo, das manifestações de grupos de mulheres contra a violência, grupos ambientalistas, mobilizações pela saúde dos trabalhadores das plantações da cana de açúcar, contra o projeto do canal interoceânico e contra tentativas anteriores de reforma do INSS. Em 2018, se envolveu nos protestos universitários contra o governo pelo incêndio da reserva florestal Indio Maiz, e posteriormente, aos protestos contra a reforma do INSS e a atual insurreição cívica.

  1. Movimiento Madres de Abril

Movimento formado pelas mães e familiares das pessoas assassinadas pelo regime Ortega-Murillo que exigem justiça para seus filhos, filhas, esposos, irmãos, pais e mães. O “Madres de Abril” organizou uma manifestação no dia das mães nicaraguenses, 30 de maio, na qual morreram 20 pessoas massacradas pelo governo. Franco-atiradores atiraram nos manifestantes desarmados quando a manifestação se aproximava do final.

Delegado:

Yader Parajón Gutiérrez

Estudante de psicologia da UCA. Participa no voluntariado social da universidade na área ambiental. Ativista em diferentes protestos sociais, como por exemplo contra a reeleição de Ortega e no movimento contra o canal interoceânico. Mobilizou-se pela justiça e democracia desde o 18 de abril, apoiando com água e suprimentos para os estudantes entrincheirados na UPOLI (Universidade Politécnica), trabalhando na organização do bairro da sua comunidade, construindo barricadas. Irmão de Jimmy Parajón, assassinado pelo regime no dia 11 de maio na UPOLI. Aderiu ao movimento Madres de Abril no dia 17 de maio devido à morte do seu irmão.

  1. Movimiento Nacional Frente a la Minería Industrial – MONAFMI

Delegada

Carolina Hernández Ramírez

Ativista, defensora dos direitos humanos e ambientalista. É da comunidade Santa Cruz de la India, cuja principal atividade econômica é a mineração artesanal. Juntou-se há dois anos às organizações pela defesa do seu território e de outras quatro comunidades, historicamente exploradas pelo extrativismo. Durante os protestos contra as minas a céu aberto foram reprimidos e alguns dos líderes do movimento passaram 40 dias presos na penitenciária “El Chipote”. A partir do dia 18 de abril organizou, junto a sua comunidade, uma manifestação de apoio aos aposentados, e com os primeiros assassinatos em Manágua, construíram barricadas no local.

O financiamento para o sucesso da caravana é graças a um fundo solidário gestionado pelo coletivo de nicaraguenses no Brasil, organizações solidárias, e por brasileiros a través da página de crowdfunding em Catarse.

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